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Quando entra um rato na sua casa


Eu sempre achei coisa de retardado, quem tenta matar rato com tiro. Mas isso mudou. Esses dias entrou um rato aqui em casa, eu vi ele entrando e até achei bonitinho, apesar de achar que fosse um coelho de tão grande. Mexia as orelhinhas e tudo, até dei risada dele dando uns pulinhos, mas isso mudou rapidinho. O camarada correu atrás do balcão e sumiu. Entrei em panico por causa do meu sofá. Eu comprei um sofá depois de quase 15 anos de casada. Minha cozinha é aquelas que é integrada com a sala, então fiquei desesperada. Fechei a porta do corredor e fomos tentar encontrar o rato. Nada de achar. Meu esposo conseguiu uma ratoeira e colocou queijo com mais alguma coisa que eu não lembro. Só sei que estávamos no quarto e escutamos a ratoeira e fomos lá. Gente do céu!   O bichinho gritava, gritava que nem porco. Meu esposo segurou com a vassoura e eu catei um pano de chão e tentei esmagar o bichinho e ele não morria. Ele gritava e eu chorava de dó, de medo e de nojo. Foi uma eternidade para ele morrer, gente. Não me orgulho disso, mas não posso morar com um rato de esgoto que parece o Mestre Splinter.

O sentimento é igual ao do João Victor. Crise existencial.

Ana Paula: Tenho 31 anos, sou casada com Fábio desde 2002, sou mãe do Benjamim que é um presente enviado dos céus, o balsamo que cura minhas feridas. Amo ler, assistir filmes e seriados, enfim isso é tudo!